Veja um pouco do Rio nesses links:
Pão de Açúcar
Cristo Redentor
Jardim Botânico 1
Jardim Botânico 2
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Drogue-se
Entre as substâncias capazes de lhe provocar viagens inesquecíveis e nunca – mas nunca mesmo – uma bad trip, chamo a atenção para algumas ao alcance de todos e que não trarão nenhum prejuízo financeiro, moral ou neurológico.Olha só: se você estiver no Rio, vá até o Arpoador ver o pôr-do-sol. Junte-se aos viciados que quase todo dia se encontram lá para provar os efeitos do visual. A única despesa pode ser talvez a passagem ou o combustível, mas até o estacionamento é grátis e não há consumação ou couvert artístico. (E não venha me dizer que nada disso envolve “substâncias”. Nem preciso dizer que o meio ambiente está carregado delas, e que as sensações que provoca mexem com suas sinapses sem destruí-las ou lesar suas funções, viu?)
Há outras drogas assim, naturais, inofensivas e mesmo benéficas à saúde. Você pode por exemplo andar pela floresta e, no meio daquele silêncio absoluto (não é o absoluto o que se busca nas drogas?), ouvir algumas vozes que com freqüência parecem cintilar ou entoar alguma música de autor desconhecido, em geral deliciosa para os ouvidos e muitas vezes intrigantes, verdadeiros desafios de som. Acresça-se a leve brisa e o visual do lugar, e as sensações mais gostosas tomam conta de você e o tiram do ar.
Quer ver outra droga de efeito? Olhe para o céu com vagar e toda sua atenção. A qualquer hora ou lugar de onde possa. Analise as formas das nuvens mutantes. Procure distinguir as tonalidades que o céu apresenta, em especial de madrugada e à tardinha.
Sempre que puder, olhe também para o mar, de qualquer ângulo e a qualquer momento. Ele garante um tempo de paz ou arrebatamento em que você pode mergulhar sem medo e esquecer seus problemas, angústias, medos e contas vencidas.
Se ainda estiver acordado, for plantonista ou sofrer de insônia, ou ainda se gostar de pular cedinho da cama, viva a madrugada. Mergulhe nela inteiro, sinta seus cheiros, ouça os sons de seu silêncio; observe a luz, o céu, as árvores; escute e veja os pássaros.
Há ainda outras opções: a arquitetura de sua cidade, antiga, neoclássica ou contemporânea. A diversidade dos bairros, a beleza e o aconchego de certas ruas e ambientes. O desenho das montanhas, o sorvete da Shaika.
Outras opções podem lhe ocorrer em tudo lucrativas. Ler o que lhe dá mais prazer, por exemplo. Livros não faltam, nem bons autores. Livrarias ótimas, sebos perfeitos onde você se sente tão à vontade que pode até tirar os sapatos ou levar uma cadeira de praia para escolher com mais conforto. Sem falar de uma atividade que o envolva inteiro e que, mesmo não lucrativa, lhe dê um enorme prazer e o faça sentir-se realizado – pesquisas, artes plásticas, música, escrita, moda, teatro... ou economia, quem sabe?
E os papos com aqueles amigos do peito que curtem os mesmos assuntos? E os planos de reforma do apartamento, a vontade de fazer alguém muito feliz, a expectativa de um encontro que promete bons momentos? Se a questão é um bom afrodisíaco, vamos à praia no verão; dançar ou mergulhar na luz das noites de luar intenso em boa companhia também costuma dar certo.
A lista pode não acabar nunca, porque o melhor guia para conseguir acesso a um barato incomparável é sua própria imaginação. Sendo assim, vamos combinar que é uma burrice enfrentar as caras feias e os fuzis dos hômi. E se o que você mais deseja é o desafio do perigo, pratique um esporte radical ou entre para a polícia. Ou para a política, de preferência integrando-se a uma CPI bem cabeluda. Ou então se envolva na investigação do caso Celso Daniel.
Emoções e sensações prazerosas são um pressuposto da vida. Mas se a gente só as consegue à custa de uma substância estranha ao próprio organismo, alguma coisa não está funcionando como devia. A vida não é simples, a gente sabe, e existem coisas capazes de interferir em nossa capacidade de aproveitar tudo que ela nos oferece. Mas nesses casos, será que a droga pode resolver – ou será que vai complicar ainda mais as coisas?
Melhor dar um pulinho ao Arpoador.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Rio Rio, vasto Rio
Cidade onde os homens inventaram uma floresta e recriaram o paraíso.
O Rio cresce, corre, trabalha, e a gente daqui é como sangue circulando em suas veias.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Do Rio
O Rio tem um quê de inesperado. Aqui acontecem coisas difíceis de encontrar em outras cidades do mundo, até mesmo do Brasil. São traços de personalidade que os cariocas e seus amigos de fora vão absorvendo, à medida que se acostumam às ruas, bairros urbanos ou da periferia. São cenas típicas, sentimentos que se instalam na gente que vive aqui; paisagens que incorporamos ao dia-a-dia; costumes que se adotam sem saber bem por quê.
Nada mais característico do Rio do que essa sensação de gratuidade, esse contágio fácil que vai generalizando um jeito de viver e agir; que inventa hábitos, expressões, gírias que acabam incorporadas ao carioquês. O jeito de vestir irreverente, a informalidade. A vivacidade, uma espécie de astúcia malandra de procurar o que fica mais simples, mais à mão, o que soa mais despreocupado e casual. A alegria de viver que chega às raias da inconsequência. Um certo atrevimento. E mesmo no inverno, o descaramento de sair sem casaco num frio de dez graus. Ou de casaco e sandália havaiana. Só um carioca pode fazer questão de ignorar o guarda-chuva, faça o tempo que fizer. E só as (poucas) cotias do Campo de Santana não fogem das pessoas. Passa-se pela lagoa e lá está uma ave desafiadora na proa de um barco, e a gente pára só pra ver um voo se desenhar no meio do céu.
De repente, um poodle miniatura chama para a briga os pés de quem passa e todos se encantam por ele, enquanto sua dona segue adiante e deixa na calçada os dejetos do bichinho como se não tivesse notado. Ninguém como um carioca sabe se fazer de desentendido, quando lhe interessa. Ninguém desconversa melhor. E ninguém liga pra isso; há uma ética do desinteresse que sustenta a infinita tolerância carioca para com a contravenção, o crime, a bandalha, o relaxamento. O carioca é um leniente que perdeu o freio.
São cariocas os motoristas machões e marrentos e o poder desassombrado dos pivetes de qualquer idade. O carioca é cheio de saídas criativas. Improvisa, programa só pra não cumprir e não cumpre horários, a não ser que o emprego seja dos bons. Pode conviver com o caos e a promiscuidade das ruas, dos bares, das boates sem perder uma ponta de compaixão e uma leveza que recria pessoas e ambientes, mas de repente se invoca por qualquer bobagem e parte para a briga.
É bem a nossa cara virar padrinho de um garoto de rua, ficar inteiramente eufórico por isso e depois perder o afilhado de vista. Acreditar cegamente em alguém só porque tem uma boa conversa. Apaixonar-se de repente por alguém que nunca viu. Fazer amizades instantâneas como se morasse no paraíso.
E no entanto o paraíso carioca é cada vez mais apenas uma linda paisagem. Parece que as virtudes desse povo criaram raízes tão enormes que, com o passar do tempo, viraram um cipoal em que se tropeça a toda hora e atrapalha a vida. Porque uma virtude é o extremo oposto de um defeito, e acontece que os extremos sempre se tocam.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Dor e delícia
A gostosa dor de estar vivo e a serenidade formam uma santíssima dualidade. Santo quer dizer diferente, e nada é tão diferente como a dor/delícia de existir e ser quem se é. Por seu lado, a serenidade, um estado/sensação quase beatífica, embora nunca deixe de existir quando a conquistamos, dificilmente pode ser experimentada como merece nas horas em que o caos da vida urbana, as vitrines do shopping, o ambiente de trabalho com suas urgências ou a televisão dispersam nossa atenção.
Serenidade, eu acho, tem muito a ver com natureza. Precisa encontrar terreno propício no espírito, mas sua imagem e suas vozes estão soltas no ar, e ajuda muito mergulhar no silêncio de uma floresta, na imensidão sugerida pela visão do céu, do mar, do horizonte distante para percebê-la – e acolhê-la, porque são coisas diferentes.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Corujando
Chove, faz um friozinho de nada.
O Rio parece outra cidade
mas continua a mais linda do mundo...
Coruja, eu?!
Sete coisas do dia-a-dia
acordar cedo não é minha praia, a não ser que seja indispensável; dormir cedo também não - nunca antes de uma da manhã;
amo o sol, que rege meu signo e meu ascendente – preciso dele sempre;
comer é muito bom, mas não exageremos – um pouquinho de cada vez tá de bom tamanho – o importante é estar nutrido e sentir sabores que dão prazer;
sinto uma falta enorme de minha gata Nini, que sumiu em fevereiro, quando saí para as férias, e nunca mais foi vista;
amo minhas plantinhas (de apartamento, mas em todo caso...) e adoro cuidar delas e ver que estão saudáveis, bonitas e crescendo;
muito líquido – sinto falta mesmo, e sei que é bom;
tenho raiva de hora certa, obrigação chata, conselhos infalíveis, pessoas controladoras.
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